Público-alvo: Estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais da saúde, assistência social, educação, segurança pública e áreas afins, além de integrantes de movimentos sociais e pessoas interessadas na temática do enfrentamento à violência de gênero e feminicídio.
Duração: 4 horas
Descrição: Esta oficina discute o enfrentamento ao feminicídio e às violências de gênero sob a lente teórica das interseccionalidades, compreendendo esses fenômenos não isoladamente, mas como resultado do cruzamento de múltiplas opressões estruturais, nas muitas camadas que se re-atravessam, re-afirmam e se re-organizam. Objetivamente, queremos suscitar discussões de como categorias como raça, classe, território, identidade de gênero, orientação sexual e outras podem moldar as vivências de violência e, a partir das concretudes identitárias, possamos construir possibilidades de resistência, seja no nível micro, com as ações pontuais junto às pessoas; no nível meso, com as organizações socias, visando, atuação mais ampla; no nível macro, com a atuação para elaboração e reestruturação de políticas públicas amplas sobre o tema. De fato, em nossa prática do Colaboratório ComElas, a interseccionalidade deixa de ser apenas um conceito abstrato para se tornar o eixo central da escuta ativa de quem "pisa no chão do território" e observa as pessoas em sua realidade, reconhecendo que o Estado e algumas organizações frequentemente falham ao ignorar as especificidades de mulheres cis, trans, travestis, negras, do campo e da cidade e outras idiossincrasias identitárias e seus intercruzamentos.
Nosso objetivo é somar vozes, ideias, perspectivas, vivências e inquietações para entendermos, ampliando nosso diálogo, como essas camadas de vulnerabilidade influenciam a persistência da violência e a percepção das comunidades sobre o feminicídio. Através de metodologias participativas, os participantes serão provocados a pensar os territórios em que vivem, a partir de nossa proposta de atuação no Distrito Federal - tanto falando de nossa experiência quanto dialogando para fortalecimento mútuo, como um espaço onde as desigualdades se espacializam, exigindo uma cartografia que identifique não apenas os riscos, mas as redes de solidariedade construídas por lideranças e coletivos locais. O foco recai na conversão do medo, do luto e da sensação de ausência do Estado em ferramentas de luta, agindo com fins de construir e o fortalecer as diversas políticas públicas.
Ao final desta oficina, pretendemos ter feito uma contribuição teórica sobre interseccionalidade, mas não de forma abstrata: que seja uma discussão encarnada e viva; que culmine em formulações estratégicas de elaboração de práticas que venham a obrigar o poder público a agir de forma qualificada. Esta atividade, por fim, é uma reafirmação de que o combate eficaz ao feminicídio depende de uma compreensão profunda das diversidades e histórias de cada mulher, nas suas mais diversas camadas identitárias, garantindo que as políticas de proteção sejam, de fato, inclusivas e capazes de manter todos os corpos e vozes vivos e livres.
Proponentes:
Maria do Socorro de Souza - FioCruz Brasília
Silvia Badim Marques - UnB
Iasmin Emmanuel Souza dos Santos Rodrigues - UnB/FioCruz Brasília
Taynná Arantes de Oliveira - FioCruz Brasília